Portugal escreveu recentemente um novo capítulo no Andebol Europeu e consolidou a sua notoriedade e granjeou ainda mais respeito Mundial. As recentes prestações e classificações dos últimos anos da Seleção Nacional “A” Masculina são prova do sucesso do Andebol Nacional, mas há mais. Quais são então os Fatores-Chave de Sucesso?


Sel. Nac. “A” Masc. no EHF EURO 2026 – Dinamarca, Suécia e Noruega (📸© Jozo Cabraja / kolektiff)

O Andebol em Portugal tem tido um crescimento comprovado pela evolução qualitativa e sustentada das seleções nacionais nos últimos anos, pelos seus resultados, mas também pelo desempenho dos clubes portugueses nas competições europeias. Uma prova irrefutável da notoriedade e destaque do Andebol em Portugal é o facto de alguns jogos da Seleção Nacional Masculina neste último Europeu terem sido transmitidos pela primeira vez na RTP1.

Este é um texto de estilo jornalístico e uma reflexão acerca dos fatores-chave de sucesso do Andebol em Portugal, motivado pela melhor classificação de sempre no EHF EURO 2026, onde Portugal terminou no 5º lugar consolidando assim uma trajetória histórica da modalidade no país e, texto este, com o foco principal na Seleção Nacional “A” Masculina.

Portugal escreveu assim um novo capítulo no Andebol Europeu, com a Seleção Portuguesa de Andebol a alcançar um marco inédito, ao terminar o Men’s EHF EURO 2026 no 5.º lugar, a melhor classificação de sempre da seleção “A” Masculina, num Campeonato da Europa sénior, superando o 6.º lugar de 2020 e reafirmando um crescimento sustentado da modalidade em Portugal.

Este feito histórico decorreu de uma campanha marcada por vitórias importantes, como na primeira fase com a vitória diante a Campeã da Europa e Mundial, a Dinamarca (31-29), abrilhantada pelo melhor golo do EURO 2026, marcado num momento importante, da ponta direita por António Areia; incluindo também um triunfo emocionante sobre a Suécia (36-35), no jogo de atribuição do 5.º lugar, com um golo decisivo de Martim Costa nos instantes finais da partida. Marcante para a nossa Seleção foram também os prémios e destaques individuais da EHF, com três portugueses com prémios individuais: António Areia com o melhor golo deste EURO e dois deles figurarem na All-Star Team; Salvador Salvador como melhor defesa e Kiko Costa como melhor Lateral Direito e melhor jovem da competição, mas também 3º melhor marcadar do Europeu.

Os resultados do Andebol português na última década ilustram bem uma melhoria e  sucesso, com uma posição de destaque no Andebol masculino mundial, mas também nas variantes Andebol de Praia e no Andebol em Cadeira de Rodas, com várias pestações históricas como: o apuramento da Seleção masculina para os Jogos Olímpicos Tóquio 2020 (que decorreram em 2021); o 4º lugar no Campeonato do Mundo Masculino IHF 2025 (Coácia, Dinamarca e Noruega); o recente 5º lugar no Campeonato da Europa Masculino EHF EURO 2026; nos escalões mais jovens, com os Sub 20 a conquistarem duas medalhas de prata em Europeus M20 EHF Euro 2022, em Matosinhos, Gaia e Gondomar e no M20 EHF Euro 2024, na Eslovénia; também, o apuramento da Seleção Nacional Feminina para o Womens EHF EURO 2024; todas as prestações recentes de Portugal na variante de Andebol de Cadeira de Rodas (CR4 ou CR6), culminando com o título de Campeão Europeu em Cadeira de Rodas no EHF EURO Wheelchair 2025, na Lituânia; e sem esquecer as prestações das seleções nacionais de Andebol de Praia, que culminaram neste momento com o 5º e 6º postos do Ranking EHF da seleção masculina e feminina respetivamente e anteriormente com uma histórica medalha  de Bronze masculina no Campeonato do Mundo 2024 IHF BH WCh, na China.

E quais os Fatores Chave de Sucesso do Andebol Nacional?

O mérito tem de ser distribuído por muitos e por muitas instituições e projetos e se falamos aqui em Sucesso é porque são muitos os marcos históricos e muitas as “conquistas” históricas de Portugal no Andebol e principalmente porque a Seleção Nacional Masculina tem recolhido um grande interesse e respeito, consequência dos seus desempenhos nos europeus e no último mundial, tendo conseguido classificações históricas e sendo a principal bandeira do Andebol lusitano. Os “Heróis do Mar” são hoje uma seleção respeitada e que já ganhou a todas as potências do Andebol mundial e é ainda considerada uma seleção jovem.

Assim, os Fatores Chave de Sucesso que destacamos são: o Selecionador nacional “A”; Paulo Jorge Pereira; a Ambição e Mentalidade da equipa; a experiência internacional dos jogadores; o grupo, unido, alinhado e com atletas com grande valor humano; a  Internacionalização do Andebolista português, com as seleções nacionais e também com muitos atletas que jogam em clubes estrangeiros e nos melhores campeonatos; a Participação dos Clubes portugueses nas competições europeias e o seu investimento; o Investimento da FAP nas seleções jovens; o Projeto das Seleções Regionais e dos Centros de Treino, com a deteção e trabalho de jovens talentos; as Associações Regionais e por fim os clubes formadores.

Fatores-Chave de Sucesso

Liderança técnica e coerência tático/estratégica do Selecionador “A”.
A estabilidade do projeto técnico em torno de Paulo Jorge Pereira, tem sido um factor de evolução clara. Ambicioso, ousado e audaz, mestre da tática e que aponta sempre para cima, para objetivos e metas superiores. Em 2026, o selecionador voltou a guiar a equipa a resultados históricos, construindo uma identidade competitiva sólida. Esta visão de longo prazo, suportada pela Federação Portuguesa de Andebol, tem permitido à equipa melhorar de forma consistente nas principais competições internacionais, obtendo classificações históricas.

Maturidade competitiva e experiência internacional dos jogadores da Seleção masculina.
A presença de atletas com passagem por competições e ligas estrangeiras elevou o nível coletivo da seleção. O excelente contributo interno e externo recente, na última década, do FC Porto, Sporting CP e SL Benfica, com a força e investimento como clubes grandes e os primeiros bons resultados na Liga dos Campeões e conquistas da Liga Europeia e da Challenge Cup por clubes portugueses, permitiram um acumular de experiência e um crescimento aos clubes e aos atletas da seleção nacional. Jogadores como Martim Costa no Sporting, autor do golo histórico, de Luís Frade no FC Barcelona, o pilar Rui Silva no FC Porto, são só três exemplos de integração de talentos experientes, que foi decisiva para enfrentar os países com mais tradição e as seleções mais fortes do cenário europeu. É para qualquer modalidade em Portugal de uma importância enorme ter FC Porto, Sporting CP e SL Benfica representados e “juntos” numa campeonato; mas não podemos esquecer clubes de Andebol (dedicados somente ao Andebol), com projetos sólidos, ou com tradição na formação, ou clubes com história no Andebol em Portugal: ABC, AA Águas Santas, Academia Claret (ex. Colégio dos Carvalhos), Póvoa AC, só para dar alguns exemplos impactantes dos que mais deram ou estão a dar ao Andebol em Portugal e à Seleção Nacional Masculina.

Preparação, ambição e mentalidade competitiva.
Antes do início do Europeu, Paulo Jorge Pereira definiu um objetivo e os jogadores assumiram publicamente a ambição de “fazer melhor do que em 2020”, reforçando um mindset competitivo e foco coletivo durante todo o torneio. Essa motivação partilhada foi apontada como essencial para manter o nível em encontros de grande pressão. Devemos referir que, o grupo dos “Heróis do Mar” é reconhecidamente um grupo forte constituído por indivíduos de altos valores morais e de carater e que constituem uma verdadeira equipa.

Sucesso e continuidade em grandes eventos.
Portugal não chega ao Euro 2026 por acaso. Nos últimos anos, a equipa nacional elevou consistentemente as suas prestações em grandes torneios, incluindo um histórico 4.º lugar no Mundial de 2025, criando experiência e confiança competitiva que se traduziram neste novo marco europeu.

Ecos positivos na formação e clubes nacionais.
A melhoria global do Andebol português passa também pelos clubes e sistemas de formação. A formação de atletas e as competições nacionais, cada vez mais competitivas,  contribuem para uma base de talentos mais profunda e preparada para o nível internacional. Esta evolução estrutural é reconhecida pela comunidade desportiva como um fator determinante no crescimento da modalidade no país.

Projeto das Seleções Regionais e dos Centros de Treino.
Tudo começa nos clubes formadores, que são quem mais horas dedica e trabalha com os seus atletas. A deteção de talento e potenciar os jovens talentosos é uma trabalho das seleções regionais, que com os treinos das seleções regionais Sub14 e Sub16 são habitualmente a base dos centros de treino nacionais de Sub 16. O trabalho que inicia nas seleções regionais tem como objetivo captar atletas habilitados a atingir as seleções nacionais jovens. Há um trabalho integrado e um alinhamento entre associações e federação e entre selecionadores regionais, selecionadores nacionais e coordenadores técnicos nacionais.

Associações Regionais.
Numa modalidade das mais praticadas em Portugal, as Associações Regionais têm um papel relevante e uma missão exigente: organização, gestão e promoção do Andebol; para o seu desenvolvimento e crescimento, sendo um verdadeiro modelo de regionalização no Andebol a nível administrativo, sendo também a base da modalidade e onde com pouco se faz muito e se dá “vida” a clubes, atletas, treinadores, árbitros e dirigentes.

CONCLUSÃO
A conquista do 5.º lugar no EHF EURO 2026 é mais do que um número no quadro de classificações: simboliza a consolidação de um projeto estratégico da FAP com foco em continuidade, formação e competitividade e é o mais recente marco histórico a nossa Seleção Masculina principal e do Andebol português. A sintonia entre liderança técnica, maturidade dos jogadores e desenvolvimento sustentado da modalidade em Portugal justifica este marco histórico e sinaliza um futuro competitivo para o Andebol nacional. O sucesso da nossa Seleção Masculina é de todos, é o sucesso do Andebol em Portugal.

 

 

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